Por que ter propósito em um negócio

Em um primeiro momento, pode ser difícil se interessar sobre propósito nos negócios. Facilmente o assunto é associado à divagações filosóficas que não parecem ter conexão prática com o mundo real. Por essa dificuldade de compreensão, ter propósito em um negócio nem sempre é levado a sério por empreendedores e gestores.

A verdade é que o propósito pode e deve estar empregado em todos os tipos de iniciativas. Empresas de qualquer porte, microempreendimentos ou mesmo autônomos prestando seus serviços conseguem obter maior retorno (não somente financeiro) quando possuem um propósito definido.

Neste artigo vou procurar esclarecer o que isso significa e quais os benefícios que sua empresa pode obter definindo um propósito. Portanto, com este artigo vamos debater sobre:

  • Entender a importância de ter propósito em um negócio

  • Utilizar empatia como ferramenta de conexão

  • Associar o propósito em um negócio

  • Desmistificar o dinheiro

  • Entender o papel do lucro no propósito

  • Fechar lacunas na comunicação

  • Transformar clientes em embaixadores da marca

  • Colocar em prática o propósito em um negócio

  • Tomar decisões a partir do propósito em um negócio


Entendendo a importância de ter propósito em um negócio


De forma resumida, é preciso relembrar que propósito nada mais é que motivo, razão, por quê. E também ressaltar que o ser humano busca sentido nas suas ações para sentir-se humano. Nos desmotivamos quando perdemos o sentido do que fazemos.


O filósofo Cortella explica que caimos em processo de alienação, da perda de si mesmo, quando fazemos algo por fazer.


Fazer de modo automático é tirar de mim a dimensão realizadora. Nessa hora eu me desumanizo, isto é, me aproximo do mundo das máquinas.

Mário Sérgio Cortella em "Porque fazemos o que fazemos"


Portanto, vivemos em uma inconsciente e constante busca por sentido no que fazemos, no que consumimos, no que decidimos e com quem ou como nos relacionamos.


Utilizando empatia como ferramenta de conexão


Além disso, damos muito mais atenção e criamos mais empatia sobre as necessidades dos outros quando entendemos suas reais motivações.


Marshall Rosenberg, psicólogo que desenvolveu o método da Comunicação Não-Violenta, enfatiza a importância de sermos transparentes. Transparentes conosco, ao identificarmos nossas reais necessidades e com os outros a respeito do que precisamos deles.


Quanto mais claros formos a respeito do que queremos da outra pessoa, mais provável será que nossas necessidades sejam atendidas.

Marshall Rosenberg em "Comunicação Não-Violenta"


Quando se tem o propósito como norteador e a transparência como ferramenta, é muito mais provável de que se consiga empatia em uma conexão. De fato, quando se consegue empatia é que se cria uma base para que exista uma troca justa. Elimina-se o sentimento de que se possa estar perdendo algo ou sendo lesado.


Associando o propósito em um negócio


Se acaso você esteja se perguntando o que uma empresa tem haver com isso, já te respondo: TUDO. Ou esqueceu que empresas são organismos vivos? Empresas são formadas por pessoas e voltadas para pessoas. Sendo assim, são compostas por relacionamentos, tanto internos quanto externos.


Ou seja, da mesma forma que não se separa propósito e indivíduo, também é impossível dissociar o propósito dos negócios já que ambos envolvem pessoas em seus pontos de conexão.


Desmistificando o dinheiro


Já comentei o significado do propósito de forma geral, e para um negócio ele não é diferente. Motivo, razão, por quê.


De toda forma, alguns podem acreditar que o propósito do seu negócio é ganhar dinheiro. Sendo assim, precisamos alinhar conceitos para que então possamos seguir.


De certa forma, eles estão certos ao pensar positivamente em dinheiro, eliminando um caráter sujo e depreciativo sobre quem quer tê-lo.


Raj Sisodia, co-fundador do movimento Capitalismo Consciente, explica de forma simples sobre como negócios podem ser grandes transformadores positivos e por que não há razão para abominarmos o capitalismo.


Negócios são bons, pois são baseados em criação de valor. São nobres pois podem elevar a nossa existência para além do nível de subsistência, onde alcançamos o potencial extraordinário que temos dentro de todos nós. Quando apenas sobrevivemos, não há como desenvolver habilidades superiores.

Raj Sisodia em "Reimaginando o Capitalismo com uma consciência mais elevada"


Posteriormente, Sisodia ainda afirma que mais do que ONGs, governos e organizações religiosas, os negócios tiram pessoas da pobreza.


Entendendo o papel do lucro no propósito


Portanto, esclarecemos que não há nada de errado em querer ganhar dinheiro. Da mesma forma, entendemos que nada mais justo em se obter retorno financeiro em seus empreendimentos.


Em primeiro lugar, não podemos confundir os conceitos. Por definição, lucro é o retorno positivo de um investimento. Quer dizer, se lucro é retorno, então ele é consequência. Ou seja, por si só lucro não é finalidade (propósito).


Em segundo lugar, ninguém se sente confortável em achar que está sendo lesado. Achar que está sacrificando seu dinheiro para financiar a riqueza de um outro. Porém, quando um negócio tem como propósito a somente a obtenção de lucro, ele será facilmente associado a um caráter depreciativo sobre suas intenções e respeito ao próximo.


Portanto, conclui-se que do ponto de vista do cliente ou mesmo do empreendedor, ter o dinheiro como propósito não traz benefícios teóricos nem práticos.


Fechando lacunas na comunicação

Quando uma empresa não demonstra claramente o seu propósito, ela deixa lacunas em aberto. Por sua vez, estas lacunas serão preenchidas pelo cliente ou potencial cliente com suas suas próprias interpretações.


Vale relembrar que criamos mais empatia quando entendemos as motivações do outro. E com empresas isto não é diferente. Por esta razão, se não fica claro para o cliente que aquela marca tem motivações com as quais ele se identifique e crie empatia, mais resistência ele pode criar em relação a obter seus produtos ou serviços.


Transformando clientes em embaixadores da marca


Por outro lado, se uma pessoa visualiza de forma clara o propósito em um negócio, ela se sentirá muito mais confortável para tornar-se cliente.


Além disso, mais que um cliente, ele poderá tornar-se um fã. Quando a identificação em relação ao propósito é profunda, há grandes chances de obter-se um embaixador da marca.


Uma divulgação ou defesa que parte de um embaixador da sua marca, um fã do seu negócio, gera ganhos de imagem muito mais fortes e válidos do que qualquer ação publicitária. E não só isso, além de trazer maior fidelização, será forte motivador para aqueles que fazem o negócio acontecer. Aqueles que fazem a empresa girar.


Colocando em prática o propósito em um negócio


Falando nisso, definir um propósito em um negócio também gera benefícios em uma perspectiva interna. Idealmente, funcionários, parceiros, fornecedores e todos aqueles que fazem parte da cadeia, também precisam ter conhecimento, entendimento e identificação com o propósito de um negócio.


Sendo assim, por mais que você não tenha controle sobre os stakeholders, você deve almejar em ter os melhores possíveis, mesmo que isso tome tempo. Se meu parceiro ou fornecedor não se identifica em nada com o meu propósito, devo me prepara e buscar novas alternativas.


Ou seja, antes mesmo de preocupar-se em sair por aí divulgando aos quarto cantos, certifique-se de que cada vez mais o propósito do seu negócio seja real. Afinal, um propósito só será válido se os clientes, consumidores e público em geral perceber que ele não é uma falácia.


Tomando decisões a partir do propósito em um negócio


Porém, só se consegue ter a noção de estar ou não no caminho certo a partir do momento em que se define o propósito do negócio. Assim, será muito mais fácil tomar decisões em relação aos rumos, ações, público e uma infinidade de aspectos.


Sendo assim, chegou a hora de começar a definir o que realmente é o propósito em seu negócio. Envie suas dúvidas nos comentários ou entre em contato para que eu possa te apoiar nessa busca.

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